Quase 30 plantas frigoríficas pararam de funcionar em 2015. Este é o número oficial, já a Associação Brasileira de Frigoríficos diz que 26 unidades fecharam as portas neste ano. As empresas afirmam que os motivos são a baixa oferta de animais e a diminuição do consumo de carne bovina.
Só que a situação pode ser ainda mais complicada. Algumas consultorias apontam que mais de 40 plantas foram desativadas só em 2015, o que afeta cerca de 20 mil trabalhadores. A JBS informou que nesta semana vai dar férias coletivas para 400 funcionários da unidade de Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul. No mesmo estado, a Minerva encerrou as atividades no município de Batayporã. Em Mato grosso a Minerva anuncio o fechamento da unidade em Mirassol d'Oeste, a 296km de Cuiabá. A empresa já tem três unidades paradas.
– Os fechamentos estão ocorrendo em razão da diminuição do consumo do mercado interno. Essa é a base. E teve também um descompasso na pecuária, que o preço do boi subiu mais do que a carne no mercado interno. E, com a crise do consumo, esse reflexo vai muito mais acentuado no menor frigorífico, ou seja, aquele que só abate pro mercado interno – explica o presidente do Conselho do Frigorífico Minerva, Edivar Vilela de Queiroz.
Já para Alcides Torres, da Scot Consultoria, a situação não é tão ruim quanto parece. Ele diz que o mercado passa por um momento de ajuste e o fechamento de certas unidades pode aumentar a eficiência das sobreviventes.
– A gente sempre teve no Brasil uma ociosidade exuberante dos frigoríficos, sabe? Então, esse fechamento, do ponto de vista da pecuária nacional, ele não afeta muito o desempenho brasileiro em termos de carne bovina, é claro que aquele pecuarista que entregou pra esse determinado frigorífico que quebrou vai sentir o drama. Mas os frigoríficos até que estão fechando sem quebrar. Esses frigoríficos estão simplesmente encerrando atividade, dispensando o pessoal, então, frigoríficos pequenos, de pequeno porte, independentes, até mesmo unidades de grandes grupos – reflete Torres.
O que tem segurado a receita dos frigoríficos são as exportações. Mesmo assim, elas não andam tão bem quanto no ano passado, quando bateram recorde. O último levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) mostra que o faturamento em maio, com o envio de carne ao exterior, foi 24% menor em relação ao mesmo mês do ano passado. Na soma dos cinco primeiros meses do ano, o Brasil exportou 14% menos que em 2014.
– Faz tempo que a gente não tem passado por uma crise como essa. Mas o Brasil já teve essas situações e o que nos salvou, e o que está salvando neste momento, chama-se mercado externo. Nossa empresa, especialmente, tem mais de 15 distribuidoras no mundo todo. Europa, Oriente Médio, Rússia e muitos outros países – acrescenta Queiroz.
FONTE: Canal Rural







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